Duas mentes compartilhando informações para o sucesso na adoção de metodologias ágeis

Sucesso na adoção de metodologias ágeis

Antes de falar sobre o sucesso na adoção de metodologias ágeis, vamos falar um pouco sobre o ShuHaRi, uma filosofia oriental voltada para o aprendizado.

O ShuHaRi

O ShuHaRi é um termo originalmente utilizado nas artes marciais japonesas, que descreve os estágios de aprendizado dos discípulos até tornarem-se mestres.

São 3 os estágios descritos nesta filosofia: o Shu (守) é o primeiro, o Ha (破) o segundo e o Ri (離) é o terceiro e último estágio. Um mestre certamente passou por todos esses estágios, e em cada estágio o mestre teve posturas diferentes para o seu aprendizado.

Shu e o discípulo aprendiz

Um discípulo inicia a sua jornada de aprendizagem no estágio Shu, que em tradução livre para o português significa obedecer/proteger. Nesta fase do conhecimento, o discípulo não possui qualquer habilidade ou conhecimento da técnica que almeja aprender.

Durante este estágio, o discípulo concentra-se em aprender e a como executar a técnica, confiando e obedecendo nas ordens de seu mestre, sem preocupar-se com os porquês.

Daniel San na primeira etapa do processo de aprendizado, visando sucesso na adoção de metodologias ágeis
Shu, a primeira etapa do processo de aprendizado

O Ha e o rompimento do discípulo

Após muitos esforços, repetições e ter seguido fielmente ao seu mestre, o discípulo chega ao segundo estágio do processo de aprendizagem, o Ha (romper/modificar). Nesta fase a barreira inicial é rompida e o discípulo começa a unir os conhecimentos adquiridos com o  seu mestre e a entender os porquês.

É nesta fase que o discípulo inicia a sua análise crítica. Começa a entender o que serve para ele, o que é supérfluo ou o que não é produtivo.

Daniel San, demonstrando a segunda etapa do processo de aprendizado, visando sucesso na adoção de metodologias ágeis
Ha, a segunda etapa do processo de aprendizado

Ri, quando o discípulo torna-se mestre

No terceiro e último estágio do aprendizado, o discípulo torna-se mestre, quebrando e definindo novas regras. O Ri (separar/superar) é onde os “porquês” já não existem, e todas as técnicas aprendidas são entendidas e melhoradas. A análise crítica e avaliação dos pontos fracos e fortes são naturais para o mestre, e o aprendizado agora vem de suas próprias experiências e convicções.

Nesta fase o mestre compartilha seus ensinamentos com novos discípulos, disseminando o conhecimento.

Daniel San torna-se mestre, visando sucesso na adoção de metodologias ágeis
Ri, a última etapa do processo de aprendizado

 

E o sucesso na adoção de metodologias ágeis, como o ShuHaRi pode ajudar?

As maiores causas do “não sucesso” na adoção vem da falta de conhecimento nas metodologias!

A ScrumAlliance, em pesquisa feita que originou o artigo Top Ten Organizational Impediments, aponta os 10 maiores erros que levam ao insucesso nas implementações de métodos ágeis. E pasmem, 6 entre 10 motivos estão ligados à falta de conhecimento especializado!

Se trabalharmos, então, na capacitação da equipe, com um coach apropriado e próximo, podemos aumentar consideravelmente as chances de sucesso! Com uma equipe treinada e conscientizada, dos  top 10 problemas, teríamos somente 4 para focar os esforços.

A ideia principal é, se você está pensando em implantar o uso de uma nova metodologia ou framework ágil em sua empresa, pare um pouco. Ser ágil não é “sair fazendo as coisas”. É preciso um levantamento, um estudo, um plano. Encare isso como um projeto, e dentro deste projeto faça uma gestão eficiente de recursos humanos, analise o conhecimento da equipe, os gaps, e nivele este conhecimento antes de dar início ao projeto.

Alistair Cockburn, em 2001, demonstrou que as fases do ShuHaRi podem ser aplicadas em uma série de atividades de aprendizado do nosso dia a dia, e não somente nas artes marciais. Então adote essa filosofia em seu plano de projeto.

Como?

É muito provável que algum de seus colaboradores se destacará no tema. Por que não, então, investir neste colaborador e o tornar um replicador de conhecimento? Ofereça a oportunidade à ele, invista na formação deste líder ágil, que defenderá o processo para que ele seja seguido e compreendido por todos.

O cronograma é curto ou o budget é pequeno para tantos treinamentos? Contrate um coach para sua equipe! Ele será o responsável pelo kick start inicial na cultura ágil em sua empresa.

Independente de quem, se um colaborador interno ou um coach especializado, o importante é: Não pule nenhuma etapa do ShuHaRi!

Faça essa a regra número 1 de sua equipe. Faça que no princípio todos sigam as regras e instruções, e que adotem o modelo ágil como manda o manual. Deixe que sua equipe evolua nos passos do ShuHaRi, e que sólidos conhecimentos sejam formados.

Você terá, certamente, um gasto maior no começo e até levará mais tempo para que o modelo ou framework ágil seja adotado em sua completude em sua organização, mas certamente terá sucesso na adoção de metodologias ágeis.

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